Psicóloga em Porto Alegre/RS

O EMDR MUDOU A MINHA VIDA

O QUE É EMDR (O EMDR MUDOU A MINHA VIDA…), por Esly Carvalho

Primeiro, mudou a minha vida pessoal. Um dia fui numa terapeuta para arrumar um pedaço antigo de uma memória que me incomodava e como não tinha muitas opções de terapia (alcançáveis ao meu bolso já que na época morava nos EUA), marquei hora com quem pude. Graças a Deus, foi uma pessoa cristã, sensível e conhecedora do EMDR. Passou-me um monte coisas para ler, sabendo que eu também era terapeuta, e eu saí daquela sessão sabendo que algo dentro de mim tinha mudado para sempre. Só não tinha idéia que o meu rumo profissional mudaria também.
Sou daquelas pessoas que se comprometeu cedo na vida profissional com uma postura psicoterapêutica (Psicodrama) e nunca olhou para trás. Nunca encontrei uma única razão para mudar de linha… até que o EMDR entrou na minha vida, e comecei a estudar e aplicá-lo. Tudo mudou no consultório: o jeito de ver paciente, o deslumbramento constante de vê-los melhorar de uma forma quase inacreditável, especialmente para uma terapeuta experiente como eu sou. Os pacientes ficam menos tempo e melhoram muito mais rapidamente. Vem com pedidos específicos e resultados mensuráveis. Os ganhos terapêuticos se mantêm no tempo, e acompanhadas de mudanças profundas, libertadoras. Atualmente, essa passou a ser a regra do meu trabalho, e não a exceção.

O EMDR representa uma mudança paradigmática na forma de enfocar a psicoterapia. Dra. Francine Shapiro comentou há poucos meses no congresso de EMDRIA em Filadélfia que o EMDR é uma psicoterapia de base fisiológica (comunicação no seu keynote address, setembro, 2006). Podemos mudar a percepção traumática e as lembranças dolorosas, as imagens, crenças, emoções e sensações ligadas a elas, a um nível neuro-químico, nas redes neuronais do nosso cérebro (sem medicação!). Atualmente possuímos os instrumentos de medição (SPECT scan, Pet scan, tomografias cerebrais sofisticadas, etc) que comprovam as mudanças na atividade cerebral à raiz da terapia de reprocessamento. Aquilo com o qual o Freud apenas sonhou, hoje podemos concretizar: estamos trabalhando no ponto de encontro entre mente e cérebro. Finalmente temos as ferramentas que Freud tanto almejou para poder fazer isso.

Há muitos anos que trabalho com traumas e sempre tive a nítida impressão que o trauma é a base da grande maioria absoluta das dificuldades que vemos nas pessoas que nos procuram no consultório. Quando refletimos sobre o Jardim de Éden, nos damos conta que Deus nos criou para um mundo perfeito. Sua intenção foi que pudéssemos viver perfeitamente num lugar perfeito entre seres humanos perfeitos. E essa intenção (imago dei) ainda existe dentro de nós na forma de expectativas que temos em relação ao mundo e às pessoas. Esperamos que o mundo seja perfeito e que não haja a imperfeição da violência, da morte, da injustiça. Esperamos que nossos amigos nos tratem bem e nos surpreendemos quando descobrimos o que percebemos como traição, erro ou engano na relação. Até hoje a gente não terminou de se recuperar do trauma.

Ao nos expulsar do Jardim, Deus – na sua infinita misericórdia – enfiou dentro de nós uma capacidade de nos recuperarmos do trauma. Parte desde Sistema de Processamento de Informação a um nível Adaptativo (SPIA) é o sono REM (Rapid Eye Movement sleep), onde vamos processando os eventos do dia por meio dos movimentos oculares rápidos e
vamos arquivando na parte do cérebro que nos diz que isso é passado. Quando este sistema fisiológico funciona bem, processamos os eventos do dia e arquivamos nos nossos imensos bancos de memória cerebral para acesso futuro. Mas em algumas situações, quando sofremos experiências traumáticas ou muito dolorosas e difíceis, por alguma razão que a gente ainda sabe explicar completamente, a memória não é processada de forma adaptativa e fica na “tela virtual” do cérebro. É como que se a lembrança ficasse “congelada” no sistema neuro-químico da pessoa, com as imagens, pensamentos, emoções e sensações ligadas àquele trauma e não parece ter jeito de tirar essa lembrança deste eterno presente e fazê-la virar passado. Tudo que fazemos é destorcido pela percepção daquele(s) trauma(s).

A grande descoberta de Francine Shapiro foi entender que os movimentos oculares bilatérias poderiam “imitar” este sistema de sono REM (processamento) que já vem dentro de nós e fazer com que essa memória congelada num hemisfério cerebral (geralmente o direito) poderia ter acesso às ferramentas que podem processar a carga negativa ligada ao trauma e ajudá-lo a atribuir um novo significado, novo sentido, nova percepção àquilo que foi vivido. As ferramentas (que costumam estar no hemisfério esquerdo) finalmente conseguem chegar no trauma congelado no hemisfério direito, e através dessa comunicação “de arranque”, novas redes neuronais são formadas a nível fisiológico o que permite uma re-significação do evento passado. Em outras palavras, essa integração e re-significância a nível cerebral permite que o passado finalmente vire passado, e deixe de atormentar no presente. (Quem não ouviu paciente contar caso antigo e chorar como que tivesse acontecido ontem? Isso é história passada que fica sempre presente.)
Por que o processamento das lembranças acontece dentro do sistema fisiológico, a rapidez desta descarga negativa é impressionante na maioria dos casos que atendemos. Francine argumenta: “Se o corpo humano é capaz de se curar sozinho dado as condições propícios, porque não a mente?” E O EMDR tem comprovado que, dadas as condições propícias, o cérebro recebe a oportunidade de desenvolver sua atividade normal de processamento, dissolvendo a carga negativa vinculada às memórias antigas e permitindo que essas lembranças sejam arquivadas no passado. Quem sabe o que é mais impressionante é que os resultados têm se mantido através do tempo e há mais de 200 estudos em revistas científicas que comprovam isso.

Dra. Francince Shapiro desenvolveu um protocolo específico que ajuda a criar essas “condições propícias” ao pedir que o cliente localize no ser cérebro a lembrança, incluindo as imagens, as crenças negativas auto-referentes em relação ao evento, as emoções e as sensações. Quem sabe uma das coisas mais interessantes para os cristãos sobre este protocolo é o fato que a definição de “crença negativa” é justamente a definição secular da mentira, assim como a crença positiva almejada pelo paciente é a verdade. Considerando-se a exortação bíblica de rejeitar a mentira e abraçar a verdade, de pensar naquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, etc. (Fil. 4:8), o EMDR oferece uma forma de trabalho que não conflitua com os princípios cristãos. Também tem sido de fácil integração com outras modalidades psicoterapêuticas, tais como cognitivo-comportamental, psicodrama, gestalt, e até a psicanálise.

Finalmente, o EMDR tem sido reconhecido oficialmente pela Associação Americana de Psiquiatria como um dos principais métodos eficazes para o tratamento de desordens de estresse pos-traumática. Outros órgãos significativos nos EUA estão seguindo os passos deste reconhecimento. Isso se deve em grande parte a constante insistência da Dra. Shapiro no desenvolvimento de pesquisas com metodologia científica rigorosa. É a razão principal que EMDR pouco a pouco está recebendo o reconhecimento no meio cientifica que merece. Cada vez mais se vê novas aplicações do método: ataques de pânico, dor crônica, desordens de ansiedade, doenças psicossomáticas e auto-imunes, além do lado positivo de instalação de recursos e o desenvolvimento do desempenho ótimo.

Mas mesmo que eu não soubesse tudo isso: como funciona, as pesquisas científicas, o protocolo específico – como ser humano, não mudaria nada. O EMDR mudou a minha vida e hoje eu vivo experiências sem ansiedade e sem estresse num nível que eu jamais sonhei ser possível.

Referencias:

Grand, D. (2007) EMDR e a cura à máxima velocidade

Grant, M (2003) EMDR and Pain Control: HAP/Austarlia

Shapiro, F (2001) Eye Movement Desensitization and Reprocessing: Basic Principles, Protocols and Procedures (Guilford Press: segunda edição). Em português,Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares, Editora Nova Temática www.novatematica.com.br

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